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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Inadequada




Eu sinto falta. Da minha vida. De quem eu era, quando tudo era fácil. Sinto falta de pessoas que não me julgavam, não me criticavam. Pessoas que gostam de mim do jeito que eu sou, e não acham nada de errado nisso.

Eu sou o tipo de pessoa que não se importa com a opinião dos outros. Nunca me abalou. Sempre fui visivelmente criticada, mas meus amigos gostavam de mim, e só isso importa. Mas agora meus amigos estão distantes, e confesso que não fiz muita força pra nos reaproximar. E eu sinto falta. Passei tanto tempo ouvindo pessoas dizerem que eu sou inapropriada que acabei acreditando nisso. Me olho no espelho, e vejo todas as coisas das quais desisti.

Mas o que abriu meus olhos foi o cabelo. Sempre tive um problema muito grande com isso. Pode parecer bobagem, mas me atormentou por muito tempo. Eu sempre tive mito cabelo, enrolado, cheio. Passei muito tempo tentando mudá-lo, até aprender a me aceitar. E quando aprendi, gostei do que eu era. Eu era finalmente alguém, eu mesma. E não tinha vergonha disso.

Esse veneno que se entranhou em mim, isso eu preciso curar. Nada mais vai mudar meu jeito de pensar, de vestir ou de ser. Eu vou ser eu de novo, nem que pra isso tenha que passar por cima de tudo. Eu vou voltar a ser a pessoa que eu sempre quis ser. A pessoa que foi criada pra ser.

Então, não. Eu não tenho vergonha de mim. E essa falta, esse pedaço que levaram de mim, pode até não voltar, mas não vai ficar vazio. Eu vou começar agora, como deve ser. Não há nada inapropriado em mim, nada errado. E se alguém tenta me convencer do contrário, não é um amigo de verdade.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Burrice




Burra, burra, burra, é isso que eu sou! Estúpida, tapada!

Eu perdi a prova do vestibular. Errei a data, e quando fui ver, já tinha passado. Agora eu vou ficar mais um ano presa nesse emprego, com gente que eu não gosto, que fazem eu me sentir inapropriada. Não há nada em mim que seja impróprio, e eu não posso deixar que eles me convençam disso.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sorte de Hoje.




"Sua vida é limitada. Não perca tempo vivendo a vida de outra pessoa."

Acho que eu sei exatamente o que eu tenho que fazer. Só preciso aguentar um pouco mais, e vou me ver livre de tudo isso, pra, finalmente, ser quem eu quiser, e não quem acham que eu preciso ser.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Love will tear us apart.




Eu sei que as coisas estão mudando, e o pior é que não consigo sofrer por isso.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Há Tempos




Eu acho que minha vida vai ser simples. Acho que vai ser normal.

Eu vou ter uma casa, e um marido. Uma moto e um bom emprego. Ir ao cinema em dias de semana, e comer pizza no domingo. Um show de rock uma vez por mês, que é pra manter a alma limpa. Um jardim meio descuidado, um cachorro e um gato.

Eu vou acordar com beijos, e dormir com música. Andar nua em dias de calor.

Tentar cozinhar, mesmo que sempre saia errado. E comprar mais livros do que posso guardar.

Eu vou ter uma vida que os outros chamam de mediocre, mas que me faz perfeitamente feliz. Eu vou ter uma vida boa.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Ordinary




Eu sempre fui comum. Tão normal que era quase a filha do meio. Nunca me destaquei em nada. Meu cabelo é castanho. Meus olhos são castanhos. Minha pele é castanha. Altura mediana, voz mediana. Tudo em mim é incrivelmente marrom.

Eu não faço nada melhor do que os outros. Não há nada em que eu seja especial. Não há nada em que eu seja realmente talentosa. Não há nada que me faça ter orgulho de mim.

As vezes eu queria ser essa mulher, do tipo que as pessoas notam quando chega. O tipo que atrai atenção pra si, bonita, confiante.

Eu queria ter algo em que eu fosse tão boa, que eu gostasse tanto, que nunca mais iria querer parar. Eu queria ser um pouco mais que comum.