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sábado, 30 de agosto de 2008

Os nomes dos personagens foram ocultos para garantir sua integridade.

Ela me enlouquece. Me deixa nervosa, irritada, me chateia. É estúpida, ignorante, grossa. Rude, sarcástica e paranóica. Mas não vivo sem ela. Penso nela todos os dias, até ficar preocupada. Ela me deixa em estado de pânico. Sinto como se tivesse obrigação de cuidar do bem estar da dita cuja. A gente conversa, a gente se entende.

E, tipo assim, ela me deixa morta de preocupação mesmo. Sempre teve mania de arrancar o cabelo. Mas aí virou tique, e agora não para mais. Já falei que vai ficar careca, mas não consegue se refrear. E o que é pior, não sei como posso ajudá-la.

Já fiz de tudo pra que ela fique sempre bem. Eu a arrastei pra tomar vacina de rubéola, eu escolho as roupas dela quando vamos sair, eu digo até o que ela deve fazer quando está confusa. Mas não sei se é o bastante.

Sei que é comigo que ela desabafa, é pra mim que ela se vira quando está prestes a pifar. Eu ouço, digo o que penso e geralmente resolve. Mas de uns tempos pra cá não vem dando jeito. Me deixa a beira de um ataque de nervos vê-la mal. E nada do que eu tento adianta.

Eu sou o muro que controla o vazio do coração dela. Eu sou quem segura sua sanidade. E pode não parecer, mas ela segura grande parte da minha também. Ela é linda, é inteligente, divertida, desejada até, e mesmo assim eu não consigo fazê-la ver o quanto pode ser feliz. Não consigo convencê-la a seguir o próprio coração.

Eu mostro a ela que nossa separação foi inevitável, mas que nossas mentes ainda são iguais e que ainda andamos no mesmo passo. Que ainda pode ser divertido e que ela não precisa sofrer. Que eu vou sempre estar amparando-a, mesmo que nunca tenhamos nos abraçado. Que somos muito mais que irmãs e que dividimos tudo. Que ela é o centro das minhas idéias e que é com ela que eu ainda me pareço.

Eu queria que, por favor, ela se esforçasse. Eu não vou conseguir vê-la afundar, mesmo que pra isso eu tenho que descer até o inferno pra buscá-la. É a pessoa que eu tenho inveja (de um jeito saudável) e que eu mais quero ver se dando bem. Quero tudo de bom pra ela. No que precisar, ela pode me chamar. Nem precisa fazer esforço. Como, só no Bluetooth mental. Ligação direta via velox agora.

Por que, cara, amo ela demais.

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